9 de Abril de 2011 às 12:59

Brunch


Manhã de primavera em Bruxelas,
sol invadindo discretamente a sala através de uma brecha entre as cortinas... acho que é hora.
Para falar a verdade a hora já passou há muitas horas... dias... quem sabe meses?
Hesitei  pelo menos um par de vezes em voltar a escrever aqui.
Sou da opinião que se não há nada de importante à ser dito, porque dizer algo? Falar de novo de mágoas não curadas? Cicatrizes que não vão desaparecer? Saudades? Receios do futuro? Para que? E mais importante...para quem? Se algo dito tem que ser importante, tem que ser importante pra alguém. Então para quem eu grito em vão tudo isso?!

É óbvio que pra mim mesmo. 

Não sei se pra me relembrar de que to vivo, apesar dessa hipergravidade que me cola chão impedindo de dar um passo sequer à frente. Como se tudo que eu tivesse como chão fosse você.
Ou quem sabe é só solidão. Receio do futuro sozinho?! Não...nesse caso acho mais que esse futuro já é presente e não há nada a temer nele, excepto que seja pra sempre.

Sinto-me gritando à beira de um abismo. As respostas que tenho são apenas ecos, que vão definhando a cada vez que se repetem. Como eu. Como se fosse uma mentira contada tantas vezes, no intuito que se tornasse uma verdade...
mas que nem mesmo o contador acredita mais nela.

Tantas dúvidas, e só uma certeza impossível...
Construir castelos de areia e viver feliz pra sempre neles seria fácil
E tão insípido quanto qualquer outro beijo que não o teu.