27 de Dezembro de 2010 às 0:42

Festa

Hoje é noite de festa!!!
Uma festa privada, onde sou o único convidado. Seria injusto dizer que estou triste; não uma completa mentira, mas injusto sem dúvida. Parece que alcançar certas coisas faz com que tenhamos de reescrever nossos dicionários particulares. Frio nunca foi tão frio, e solidão nunca tão só. E amor!?... Ah...amor. E eu que acreditava que já havia amado. Que dizia fazer tudo por amor, mas nunca fiz. Que matava e morria, que sangrava até a última gota por ela... meu amor. E no entanto estou aqui.

Estava.

Esticar nossas cordas, nossos limites só levam à um lugar. Uma planície deserta onde pendemos numa forca, cujo o nó, eu mesmo dei. E ali inerte, não pela imposibilidade de mover-me, mas apenas porque decidi sobreviver por inércia, observando dia após dia o imenso vazio a me devorar, assim como os corvos que pousam no meu ombro e rasgam minha carne, pedaço a pedaço.

Morte?! Não... morte é recompensa para os bravos, não para aqueles que congelaram de medo. Aqueles que entregam as decisões às mãos de outros, que chegam à beira do abismo e recuam com vertigem. Por isso pedaço à pedaço continuei sendo desfeito pelos meus corvos. Comeram da minha mão... e agora devoram-me até nada mais sobrar.

Mas festa não é festa sem música... então que toque. Que o atabaque pulse como meu coração, e se cale com o mesmo; que as cordas do violino vibrem até meu último gemido de dor, ou de paz; e que a flauta se cale ao meu ultimo supiro.

Silêncio.

No chão jazem os restos da festa, e desta vez não há ninguém para recolher os cacos.