21 de Junho de 2010 às 22:12

Um passo, dois passos, três passos...

Embalado pelo balanço do comboio, vejo-me perdido em horizontes que passam na velocidade dos meus pensamentos. Tenho como companhia o pôr-do-sol que me acompanha desde minha partida do Porto, e uma música aleatória escolhida ao acaso para o caso certo.

Tenho a impressão que essas constantes partidas não tem deixado-me chegar a lugar nenhum... Aliás, chegar tenho chegado a muitos lugares, por vezes até a mais de um ao mesmo tempo!! Mas será que é onde eu quero chegar?...Será que eu quero chegar?? Ou apenas sustento essa ilusão porque o meu porto seguro, minha casa é a estrada constante? O andar na corda bamba, escolha ao acaso, uma roleta!! Se for essa a minha escolha porque me sinto tão perdido? Quem anda pela estrada é sempre rumo a um destino... uma paragem, um porto seguro.
Meu porto seguro parece-me mais uma bóia a deriva, e eu tolo... nado em sua direção a cada mudança da maré, nortada revolta ou brisa leve que carrega-a para longe, de mansinho, sorrateiramente como se delicadamente soprasse: "Morre a tentar, da-te por inteiro... mas cá não hás de chegar". Mesmo quando parece estar ao alcance do esticar do meu braço... resvala. Apenas as pontas dos dedos tocam-na de leve, só para lembrar-me que é real... e não uma miragem criada pela exaustiva jornada.

Ser real, não quer dizer que seja pra mim.

Estar só nessa viagem faz-me questionar sobre a tênue fronteira entre a imaginação e criatividade e loucura. Quanto disso tudo é uma lúdica interpretação de uma realidade dura e por vezes fria como o metal... quase cruel, e quanto disso é mentir. Uma fuga do meu reflexo ao espelho, daquilo que fiz de mim, correndo sempre pra chegar, e esquecendo do que construi ao caminho, Quanto de mim é real, e quanto de mim inventei? Quanto de mim é apenas o pálido reflexo daquilo que poderia e queria ter sido, e quanto disso soue eu!?!?

Perguntas a mais...respostas a menos... é uma longa estrada...

mesmo que sem destino.